Close Menu
Itapira DiárioItapira Diário
  • Capa
  • Itapira
  • Notícias
  • App
  • Esportes
  • Games
  • Receitas
  • Colunas
  • Contatos
Destaques de Itapira

Alerj escolhe novo presidente da Casa sexta-feira agora (17/4)

17 de abril de 2026

Sul-Americana: Atlético-MG e Bragantino jogam em busca da 1ª vitória

16 de abril de 2026

Guardiões da memória: os escritores que ajudam a preservar as histórias indígenas

16 de abril de 2026
Facebook X (Twitter) Instagram
NOTÍCIAS
  • Alerj escolhe novo presidente da Casa sexta-feira agora (17/4)
  • Sul-Americana: Atlético-MG e Bragantino jogam em busca da 1ª vitória
  • Guardiões da memória: os escritores que ajudam a preservar as histórias indígenas
  • Aposentados já podem consultar prévia do 13° salário. Veja como
  • Zelda Ocarina of Time Remake pode ser lançado ainda esse ano, diz insider
  • Dois terços dos venezuelanos que vivem no Brasil não querem voltar ao país
  • Copa do Mundo de 2026 pode ter mudança na artilharia histórica
  • Câmara vota indicação de ministro do TCU em teste de força para Motta
  • Sugestão de pauta
  • Anuncie
Facebook Instagram
Itapira DiárioItapira Diário
Guia Itapira
Itapira, 17 de abril de 2026
  • Capa
  • Itapira
  • Notícias
  • App
  • Esportes
  • Games
  • Receitas
  • Colunas
  • Contatos
Itapira DiárioItapira Diário

Guardiões da memória: os escritores que ajudam a preservar as histórias indígenas

16 de abril de 2026
guardioes-da-memoria:-os-escritores-que-ajudam-a-preservar-as-historias-indigenas
Guardiões da memória: os escritores que ajudam a preservar as histórias indígenas


Texto Edison Veiga | Edição Rafael Battaglia | Ilustração Curumiz | Design Rafaela Reis

No livro Vom Roraïma zum Orinoco, o etnólogo e explorador alemão Theodor Koch-Grünberg (1872-1924) transpôs para a linguagem escrita várias narrativas míticas indígenas da área amazônica, obtidas em suas expedições no Brasil.

Mário de Andrade (1893-1945) leu o livro e se encantou. Ficou, conforme com suas próprias palavras, “desesperado de comoção lírica” quando percebeu que o personagem principal de uma dessas histórias, Macunaíma, “era um herói sem nenhum caráter nem moral nem psicológico”.

Inspirado através da leitura, o autor lançou em 1928 seu livro mais famoso, Macunaíma: o herói sem nenhum caráter. A obra é um dos principais expoentes do modernismo brasileiro, tornou-se um marco da literatura do País (e presença contínuo em listas de vestibular).

Mas o que nem Andrade nem ninguém à época do lançamento poderia imaginar é que, hoje, Macunaíma pode ser visto como um precursor (ainda que involuntário) da transposição da literatura oral indígena para a literatura escrita brasileira.

Os povos que habitavam o atual território brasileiro antes dos portugueses baseavam sua cultura em tradição oral, e não no registro escrito. O problema é que, com a dizimação de muitas populações indígenas, as histórias míticas constitutivas dessas etnias também desapareceram.

Como resultado, existe uma imensa literatura indígena que, por não ter ganhado forma de livro, ainda é pouco absorvida através da sociedade eurocêntrica que terminou fazendo daqui o Brasil. É um problema secular – e persistente.

Por sorte, isso está iniciando a mudar, graças a um movimento de valorização dos saberes e das culturas dos povos originários e também de uma maior presença de autores e autoras de origem indígena na indústria cultural brasileira.

Alguns desses escritores fazem parte o primeiro patamar da literatura brasileira contemporânea. No mês de março, Daniel Munduruku tomou posse na Academia Paulista de Letras. Existe dois anos, Ailton Krenak, do best-seller Ideias para Adiar o Final do Mundo, entrou para a Academia Brasileira de Letras. Eles foram os primeiros indígenas a ingressar em ambas as instituições.

Talvez o pioneiro desse fenômeno, o ambientalista Kaká Werá Jecupé, indígena tapuia, lançou em 1998 o livro A Terra dos Mil Povos: história indígena do Brasil contada por um índio. Ao narrar a história do País a começar do ponto de vista individual de um representante indígena, ele escancarou não só como os nativos leem o mundo mas também a pluralidade deles.

Estima-se que, quando os colonizadores portugueses chegaram ao litoral brasileiro, em 1500, havia de 1 mil a 1,5 mil etnias diferentes habitando o território, falantes de através do menos 1 mil idiomas diferentes. Hoje, conforme com o IBGE, são 305 povos, que falam 274 línguas.

Conheça os principais deuses da mitologia tupi-guarani

Resgatar para preservar

Desde o livro de Kaká Werá Jecupé até hoje, não faltam exemplos de outros registros autênticos da memória oral indígena. O próprio tapuia escreveu outros, dentre eles O Mito Tupi-Guarani da Criação e O Trovão e o Vento: um caminho de evolução através do xamanismo tupi-guarani.

“Resgatar histórias orais de povos originários é fundamental não apenas para preservar culturas mas também para enriquecer e transformar a própria literatura”, comenta o historiador Carlos Trubiliano, professor da Universidade Federal de Rondônia (Unir) e ex-assistente técnico na Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

“A tradição oral é carregada de visões de mundo, memórias coletivas, espiritualidades, conhecimentos com que muitas vezes o mundo ocidental nunca teve contato”, continua. “A literatura tradicional ocidental foi construída sobretudo a partir do referencial europeu. Quando a literatura incorpora as narrativas indígenas, o leitor pode acessar outros modos de ver e entender o mundo. Por exemplo, na cosmologia dos povos originários não existe uma relação hierárquica entre o humano e a natureza.”

Para ilustrar seu ponto, Trubiliano cita A Queda do Céu: palavra de um xamã yanomami, livro de 2010 planejado através do antropólogo francês Bruce Albert a começar de depoimentos colhidos do ianomâmi Davi Kopenawa. “Tornou-se amplamente conhecido por denunciar as violências sofridas pelo seu povo após o contato com os não indígenas”, diz o historiador.

Da esquerda para a direita: Edson Kayapó, Olívio Jekupé, Auritha Tabajara e Kerexu Mirim.Curumiz/Superinteressante

Existe muitos outros casos interessantes. Das etnias maraguá e sateré-mawé, Yaguarê Yamã é autor de Kurumi Guaré no Coração da Amazônia, que aborda de uma maneira lúdica e representativa os grafismos indígenas de povos amazônicos para, em mescla com a memória do narrador, trazer histórias indígenas importantes. Já em O Karaíba: uma história do pré-Brasil, Daniel Munduruku lapida vozes para todos que jamais tiveram a palavra registrada.

Aqui chegamos a um ponto fundamental da discussão. Se registrar as histórias orais em texto escrito é um jeito de salvaguardá-las, ao mesmo tempo isso não seria um desrespeito à própria cultura que não tem a escrita em sua base?

Para o historiador e antropólogo Giovani José da Silva, da Universidade Federal do Amapá (Unifap), essa questão aparece inclusive quando se diz que a transposição do oral para o escrito seria uma ação de resistência dos indígenas diante do apagamento cultural. “A escrita é um fetiche do branco”, diz ele, com o conhecimento de quem convive existe 35 anos com populações indígenas, de diferentes etnias, em trabalhos de campo, e domina três idiomas nativos.

“Na medida em que vamos registrando essas histórias no papel, estamos dizendo que a escrita é superior à oralidade”, argumenta o professor. “Deveríamos nos preocupar com outras formas de registro.”

Silva conta que já observou um impacto negativo dessa transposição, sobretudo nos indígenas mais velhos. Ao verem a materialização em livro dos mitos de suas culturas, eles costumam sentir que perderam o papel social de passar a tradição adiante. O óbito do contador de histórias.

Outra queixa de alguns indígenas é de que a história escrita se torna estanque, sempre contada da mesma forma – ao contrário da memória oral, sujeita a ajustes e transformações.

Por outro lado, conforme lembra o historiador Trubiliano, também existe o entendimento de que os indígenas estão tendo espaço para ocupar “um território simbólico que, por muito tempo, lhes foi negado”. Neste sentido, a escrita é “estratégia política e cultural” e contribui para “preservar memórias e narrativas diante de longos processos de silenciamento e apagamento”.

“A produção literária é exatamente isso: ela é o conhecimento tradicional. A literatura que nós, escritores indígenas, produzimos está diretamente vinculada à oralidade”, diz o escritor e historiador Edson Kayapó, do povo mebêngôkre. “Antes da literatura, para nós, vem a oralidade. Ela é o conhecimento supremo. A partir dela, produzimos literatura escrita, arte e audiovisual. É um conhecimento totalmente baseado nos saberes tradicionais.”

Recentemente, Kayapó publicou o livro Fogueira, Mãe Curandeira, justamente sobre os conhecimentos antepassados que ele recebeu via tradição oral.

Apesar de suas ressalvas, Silva reconhece a necessidade da revitalização – ele prefere esse termo a “resgate” – da memória oral indígena. O professor da Unifap cita como exemplos importantes tanto o trabalho feito através do antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997) quanto a premiada coleção de livros infantis com mitos tradicionais indígenas que a editora Melhoramentos publicou nos anos 1980, chamada de Série Morená.

Até mesmo a obra do historiador e diplomata Alberto da Costa e Silva (1931-2023) tem sua relevância neste contexto, desde que não seja revisitada com um olhar anacrônico. Em 1957 ele publicou o livro Antologia de Lendas do Índio Brasileiro, em que registrou histórias míticas como a da origem da mandioca e do guaraná, a começar de narrativas orais colhidas em campo.

À luz contemporânea, é plausível problematizar – e não só porque a escrita parte do ponto de vista de um homem branco. Logo no título, Alberto chama de “lenda” o que seriam narrativas míticas, no sentido de que muitos indígenas acreditam nessas histórias tanto quanto um judeu pode acreditar que Moisés abriu o Mar Vermelho ou um cristão crê que Jesus ressuscitou dos mortos ao terceiro dia.

Para estudiosos como Silva, não é exclusivamente uma questão terminológica. Existe uma camada semântica essencial neste vocabulário. As narrativas míticas de um povo guardam crenças importantes sobre a maneira como cada grupo de pessoas entende o mundo. É fé. São os mitos que explicam as coisas como elas são. Chamar isso de lenda pode achatar tais histórias sob o prisma da “verdade” do outro.

Além de tudo, Alberto singulariza a diversidade. “Traz o ‘índio genérico’, e não os povos indígenas no plural, como se tudo fosse uma coisa só”, diz o antropólogo Silva.

“Mas o aspecto positivo”, comenta o professor, “é que houve a recuperação dessas histórias e o registro para a posteridade. Ou seja: tem apagamento, mas ao mesmo tempo tem registro, ainda que precário”.

Os livros preservam a memória indígena, mas isso não significa abandonar a tradição oral, que tem tanto valor cultural quanto a escrita.Curumiz/Superinteressante

Resistência

Autor de 35 livros, o guarani Olívio Jekupé define sua produção literária como forma de resistência. E chama para os indígenas o protagonismo desse processo.

“Começamos a escrever porque percebemos que a literatura poderia ajudar a registrar nossas histórias e também a fazer críticas sociais”, diz Jekupé. “Antes, muitas histórias sobre os povos indígenas eram registradas apenas por pessoas de fora. Hoje somos nós que escrevemos sobre a nossa história.”

Entre suas obras, estão narrativas que ele ouviu da tradição oral, como os enredos dos livros A Mulher que Virou Urutau e História de Piragui, ambos escritos em colaboração com a sua esposa, Maria Kerexu. “Resolvi registrá-las para que não se perdessem.”

Também guarani, a escritora Kerexu Mirim, filha de Olívio e Maria, vê no texto escrito a oportunidade de “manter vivas as histórias”. “Nossa cultura é dinâmica, então algumas coisas temos de usar a nosso favor para a preservação”, constata.

Autora de 15 livros, a escritora Auritha Tabajara produz pensando no futuro: “Escrevo para que crianças indígenas reconheçam suas histórias e que crianças não indígenas conheçam outros jeitos de ver o mundo. E para que a memória dos nossos povos continue viva”.

Iniciativas para preservar línguas, saberes, culturas e literatura indígenas têm surgido em paralelo ao entendimento da importância de tais povos na formação do que hoje chamamos de brasileiro. No ano passado, o Museu da Língua Portuguesa e o Museu de Antropologia da Universidade de São Paulo (USP) se uniram na criação do Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas, voltado para pesquisa, preservação e difusão dos idiomas originários. De acordo com os coordenadores do projeto, calcula-se que 20% das línguas indígenas ainda praticadas no País jamais tenham sido estudadas academicamente.

“A escrita deriva da fala, em qualquer língua”, diz a linguista Luciana Storto, coordenadora do projeto e professora na USP. “Esse trabalho dialoga diretamente com o fortalecimento das literaturas indígenas, porque toda literatura nasce de uma língua. Ao reconhecer e valorizar as línguas originárias, o museu ajuda a ampliar nossa visão sobre o que é a cultura brasileira”, completa o historiador Trubiliano.

Storto lembra que a iniciativa se baseia em trabalho com comunidades indígenas através de captação em áudio e vídeo. Esses registros ficam arquivados e, eventualmente, podem se tornar ponto de partida para outros produtos, inclusive livros. “É um esforço notável”, diz Giovani José da Silva.

“O linguista estuda a fala, e não a escrita, já que a fala em qualquer língua é um objeto natural que deve ser descrito e explicado, enquanto que a escrita é uma criação posterior, mas que tem a vantagem de ficar para a posteridade, enquanto que a fala é efêmera”, contextualiza Storto.

Além da academia, o mercado também responde ao movimento. A editora PeraBook produziu recentemente o projeto Vozes Originárias, uma coleção de livros que reúne autores e ilustradores de 19 etnias diferentes. De acordo com a editora Luciane Ortiz, houve duas preocupações iniciais: defender uma certa diversidade entre os povos e desconstruir estereótipos.

Ortiz reconhece que “a oralidade é muito importante” nas culturas indígenas e diz que, na série que ela coordena, houve um cuidado na transposição do texto falado para o escrito de modo a respeitar o máximo plausível esses traços. Uma mesma palavra, por exemplo, pode ser publicada com grafias diferentes, conforme com as preferências dos autores da obra.

Existe 3 anos, a empresa de informática IBM patrocina um projeto da USP que usa tecnologia para estudar línguas nativas do Brasil. É um trabalho colaborativo que usa técnicas de processamento de linguagem natural e ferramentas de IA para que povos indígenas consigam escrever suas línguas de forma eficaz. O embrião do projeto foi feito com a aldeia Tenondé Porã, no extremo sul da cidade de São Paulo. Mas a ideia é expandir, com especial atenção aos idiomas que correm mais risco de desaparecer.

Na esfera global, o Brasil tem uma importância–chave neste fenômeno. A Unesco determinou um olhar prioritário para as línguas originárias na década de 2022-2032 – e a linguista Altaci Kokama, da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadora de promoção de políticas linguísticas do Ministério dos Povos Indígenas, é quem preside essa força-tarefa global.

Mais do que conhecerem o passado de seus povos, escritores de origem indígena têm lugar de fala. Além de autores, são também os protagonistas dessa história.

AS MAIS LIDAS DA SEMANA
Toda sexta, uma seleção das reportagens que mais bombaram no site da Super no espaço da semana. Inscreva-se aqui

Cadastro efetuado com sucesso!

Você receberá nossas newsletters através da manhã de segunda a sexta-feira.

Publicidade

Continue lendo...

Alerj escolhe novo presidente da Casa sexta-feira agora (17/4)

Aposentados já podem consultar prévia do 13° salário. Veja como

Dois terços dos venezuelanos que vivem no Brasil não querem voltar ao país

Destaques de Itapira

Polícia Militar registra duas prisões em Itapira entre segunda-feira (6) e terça-feira (7)

8 de abril de 2026

Polícia Militar captura procurado através da Justiça durante madrugada em Itapira

6 de abril de 2026

Polícia Militar captura procurado através da Justiça em Itapira durante ronda

2 de abril de 2026

Itapira está entre cidades notificadas através do MPT depois de aumento de denúncias de trabalho infantil

30 de março de 2026
Fique por dentro!

Alerj escolhe novo presidente da Casa sexta-feira agora (17/4)

17 de abril de 2026

Guardiões da memória: os escritores que ajudam a preservar as histórias indígenas

16 de abril de 2026

Aposentados já podem consultar prévia do 13° salário. Veja como

16 de abril de 2026
Demo
Facebook Instagram

News

  • World
  • US Politics
  • EU Politics
  • Business
  • Opinions
  • Connections
  • Science

Company

  • Information
  • Advertising
  • Classified Ads
  • Contact Info
  • Do Not Sell Data
  • GDPR Policy
  • Media Kits

Services

  • Subscriptions
  • Customer Support
  • Bulk Packages
  • Newsletters
  • Sponsored News
  • Work With Us

Subscribe to Updates

Get the latest creative news from FooBar about art, design and business.

© 2026 – Grupo T25.
  • Anuncie conosco!
  • Cotatos

Type above and press Enter to search. Press Esc to cancel.